Auto…

05/08/2012

Tenho problemas de autoestima
autocontrole
auto-contraste

Problemas com o auto-reporting
Os automóveis sempre me deixam pra trás

Meu auto-significado se perdeu no limbo
No limo
Em marés de pensamentos que não respeitam as fases da lua
E que sempre sucumbem à luta

Minha auto-imagem é distorcida
Feia!
Faltam pedaços de pele e rosto

Meu auto-significado é algo doloroso e denso
Tenso
Assim como os poemas que vem sem nome
sem  sinal
sem final

Minha auto afirmação foi destroçada pela autópsia na noite passada

De repente os dias se tornaram longos demais
viraram dias de muito papel e pouca tinta
as letras já não vinham com a mesma facilidade
a inspiração faltava assim como o ar que havia se tornado rarefeito
era como se tivesse perdido o tino
o time de todos os poemas…
Eles ficavam lá esquecidos, aos pedaços, pelos cantos da memória
rabiscados em velhos cadernos, ou perdidos em arquivos que jamais seriam abertos
De repente a mágica se foi, sem dor ou lágrimas, mas também sem despedidas
De repente apenas deixou de fazer sentido
Falar das mãos geladas e dos cheiros que dele exalavam deixou de ter graça
De repente eu cresci, superei
Ou então fui pequena a ponto de me descartar da minha própria história
De repente me faltaram forças pra segurar a barra sozinha
eu precisava de novo daquele abraço, daquela vontade
daquele olhar que me guiava
De repente era um vício, uma mania
Algo difícil demais pra ser vivido, ilusório demais pra ser real
De repente eu precisava de algo mais definitivo
uma explicação melhor
uma verdade
uma ilusão
De repente o poema simplesmente acabou sem ponto final

Do ar e do chão como se nada me prendesse à essas amarras
Apago memórias, contatos e lembranças
Distraio a dor com poesia e fixo meus olhos num futuro que inexiste
Atravesso as dificuldades com tropeços
Assim como quando era criança e aprendia a caminhar
Me fiz adulta afim de descobrir as mazelas do mundo
Descobri mesmo que mal posso desassociar tua imagem do meu ser
Por mais que eu não queira você ainda está lá, como uma fantasma
Está lá, nas conversas de bar
Nas noites de domingo
Nos comentários dos amigos
Nas minhas lembranças e poemas
Eu não admito, mas todos esses versos são seus e você nem sabe
Não faz ideia das horas que gasto buscando a rima perfeita
Desafiando a métrica apenas pra que caibas novamente nos meus textos
Não sabe o quanto dói não saber onde andas
Com quem andas, nem o porque de eu não mais acompanhar teus passos
Não sabe de nada e ainda assim faz parte de tudo
Te ver me faz criar
Saber de ti me inspira como luz
Como som….
Me perco em pensamentos e novamente me vejo através destes olhos

Às vezes é preciso pouco
pouco para que as coisas façam sentido
tomem forma
É preciso pouco para que as lágrimas lavem o rosto
e aliviem a alma de todas as coisas que assustam
Às vezes basta uma canção
um verso
um poema novo
Às vezes eu sinto saudade
lembro com carinho de todas as coisas que jamais aconteceram
ouço teus discos como se fossem meus
te entrego todos os meus versos
Às vezes espero o impossível
desejo o improvável
Às vezes tudo que temos é o silêncio
a solidão
a garrafa de vinho pela metade
A consciência dos erros nos fazem perceber a delícia de todos os velhos acertos
Às vezes tudo é dor e escuro
a voz sai embargada
Às vezes se veste a fantasia mais linda, as cores mais vivas e o sol volta a iluminar um sorriso que jamais deveria ter se apagado…

Sinto falta…

02/14/2011

Do teu jeito, da forma como me olhas e como finge não me ver

Sinto falta da forma como me protege

Dos beijos na testa, do carinho ao amanhecer

Sinto falta das discussões por nada

Dos rompantes por ciúmes que jamais tivemos

E daquele ‘não vamos brigar’

Sinto falta de tudo que nunca fomos ou vivemos

E daquilo que jamais sonhamos…

Sinto falta do frio ao teu lado, das reclamações pelo excesso de calor

De todos os silêncios

Sinto falta da voz no meu ouvido

Da cantoria nas tardes solitárias

Dos duetos…

Do cheiro que mistura perfume e nicotina

Da cannabis que sativas

Das responsabilidades, do medo e da vontade de crescer

Sinto falta de encontrar aquele ‘canto’ contigo

E aquele lugar ‘só nosso ….’

Sinto uma falta imensa de tudo aquilo que jamais foi meu de verdade

De tudo que eu jamais vivi, mas eu sinto falta….

De repente…

11/22/2010

De repente, me veio uma alegria boba

uma lembrança forte e uma vontade louca

De repente, sonhei acordada

Te quis como um delírio

De repente, o poema era a única saída

quis alcançar teu coração que parecia tão distante do meu

De repente, tudo aquilo era bobagem minha

às vezes viajo, crio, invento até o que não existe

De repente, a canção triste encheu meus olhos de lágrimas

me fizeram sentir a distância que nem era tão real assim

De repente, tudo que eu queria era tua voz no meu ouvido

teu corpo colado no meu

De repente, comecei a sentir tua falta

foi tudo rápido demais, não tive tempo de te dizer o que senti

De repente, terminamos sem ter a chance de começar

se tivéssemos começado de um jeito diferente, tudo seria diferente

De repente, é apenas um delírio meu

tua falta de tempo é apenas excesso de trabalho, não uma forma de me afastar

De repente, te vi como um sonho bom

e ainda espero a realidade me surpreender um dia…

Que ame os Beatles e deteste ervilhas…

Um homem que não se importe em virar personagem

Que permita pequenos surtos

Que dê liberdade poética

Procura-se um homem

Que esteja disposto a amores incondicionais

Aos escândalos por ciúmes

À procura constante

Procura-se um homem que não se perca diante do espelho

Que tenha os pés no chão

Mas que deixe o pensamento voar

Procura-se um homem que goste de incensos

Cultive os sabores

Que cultive manias irritantes

Procura-se um homem que tenha cartões de crédito vencidos

Que precise de ajuda com golas

Que deixe escolher as gravatas e organizar as meias

Procura-se um homem que encontre pulgas nos tapetes

E jamais deixe pêlos no sabonete

Procura-se um homem que queira uma mulher perdigueira

Daquelas que demonstram amor cheirando camisas e procurando marcas de batom

Procura-se um homem que queira uma mulher que deixe marcas, arranhões

Que o acorde de madrugada falando baixinho

Que recorde de todas as datas e lembre o local de cada beijo

Procura-se um homem que a beije com a mesma paixão da primeira vez

Que faça com que toda a noite ela sinta como uma primeira vez

Procura-se um homem que seque lágrimas

Segure mãos e aproxime o corpo durante o sono

Procura-se um homem que organize os cd’s  e divida a alegria das raridades

Um homem que goste dos mesmos filmes

Que tenha lido os mesmo livros

Um homem que minta descaradamente quando a mentira agradar

E que busque a perfeição quando resolver dizer verdades

Um homem que demonstre amor de forma pública, exagerada e vândala

Que piche muros e ruas pra dizer o quanto ela é importante

Um homem que ame Willy Wonca e Woody Allen

Que discretamente recrimine as roupas que o enlouquecem

Que repare nas unhas e cabelos

Procura-se um homem de olhos azuis e pensamento verde

Que conheça o céu

Que saiba quando é hora de parar

E que não pare mesmo que ela implore….

Se eu disser que adoro quando os dias vêm em escalas de cinza

Que é em dias assim que lembro como tuas mãos percorreram meu corpo

Vai me chamar de boba…

Se eu disser que acordei pensando no escuro do quarto….

No som da tua respiração

Vai me chamar de boba…

Se eu disser que agora o que resta é uma insegurança

Um medo bobo que me trava e apavora

Vai me chamar de boba

Se eu disser que, pra mim, sexo não pode ser casual

Vai me chamar de boba…

Por ter me concentrado em cada gesto

Metódica e sistematicamente, em uma única noite, decorei cada movimento…

Cada toque…

Vai me chamar de boba, eu sei…

Mas nossos signos combinam perfeitamente

Vai me chamar de boba por ser sentimental…

Por te escrever poemas

Te fazer personagem das minhas historias

E, principalmente, por querer figurar nas tuas…

Vai me chamar de boba…

Por querer atenções no dia seguinte

Por esperar ligações…

Vai me chamar de boba…

Quando eu ligar só pra dizer que acordei pensando naquela primeira vez

Quando eu contar, que de manhã, te procurei na cama

Vai me chamar de boba pela falta de prática…

Mela total falta de métrica…

E por dizer que senti tua falta

Vai me chamar de boba… talvez de louca

Quando a noite te chamar por outros nomes

E de manhã, carinhosa e aninhada no teu braço balbuciar teu nome como criança que pede colo

Vai me chamar de boba…

Quando eu pedir que segure minha mão e seque minhas lágrimas

Vai me chamar de boba

Por pensar duas vezes antes de publicar esse texto

Vai me chamar de boba…

Quando eu te mostrar com vergonha o que escrevi

Vai dizer que sou boba, certamente…

Quando eu jamais tiver coragem de dizer tudo o que é preciso

Antigamente…

08/16/2010

Antigamente eu era eterno. Terno…

Sensível como ninguém… com ninguém!

Antigamente o poema fazia sentido

Vinha fácil…

Antigamente minha arte era vivida, sentida, sonhada…

Antigamente até as drogas eram diferentes, tinham um ritmo diferente

Significados diferentes….

Antigamente o barato estava ali…

Na arte, na pele…

Antigamente o sexo era diferente…

Vinha infantil… apressado… com medo…

Invadia o corpo, mas tinha medo de ser eterno…

Medo de ser real…

Antigamente eu abraçaria o mundo

Teria ele entre os dedos… no meio das pernas

Antigamente viver era mais sinônimo, menos subversão

Quem sabe o contrário…

Antigamente tudo fazia sentido

Antigamente, por mais difícil que fosse ainda era colorido…

Ali…

03/14/2010

Ali

Sozinha ela esperava

um som

uma voz

um sinal qualquer de carinho

um gesto…

Ali…

sentindo-se pequena diante de tamanha imensidão

se sentia livre

Ali… e só ali

era plena

completa

mesmo que o mundo e as pessoas tentassem convencê-la do contrário

Ali…

observando aquelas cores no céu era ela mesma…

PS: Esta é apenas uma pausa no ‘Avenida da Perdição’.  Os próximos capítulos serão postados ao longo da próxima semana 🙂