Avenida da Perdição (capítulo 7)

07/16/2010

Hoje tudo que eu queria era um dos teus cigarros…

Era sentir de novo a delícia da sensação de estar nos teus braços

Era assim… calma e serena no teu abraço que eu era completa, plena…

Patrícia que há muito tempo não conseguia sentar-se diante da tela e escrever, agora não parava de imaginar poemas. Todos sobre aquela noite. Todos sobre aquele homem cujo nem o nome se lembrava. Lembrava como se não tivessem passado nem duas horas de como se sentiu naqueles braços e apenas isso, todo o resto tinha sido varrido de sua memória.

Havia largado as ruas, os programas e as drogas há alguns meses. No inicio manter aquele estilo de vida e resistir as crises e ataques que a abstinência causavam foi difícil, mas o tempo e o crescimento daquela criatividade e inspiração que ela mesma desconhecia a ajudaram a ultrapassar esta fase.

Os primeiros textos eram confusos, desconexos, mas a medida que Patrícia ia se concentrando no que sentia eles foram criando formas mais uniformes. Eram textos, imagens, sentimentos que realmente vinham da alma.  Passava noites em claro, escrevendo em cadernos velhos e páginas amassadas tudo o que sentia tudo o que sabia, mas escrevia principalmente sobre aquilo que poderia ter, sobre as sensações que a rodeavam e sobre os desejos que insistiam em assombrá-la.

Era inverno, e os dias gelados que antecediam as noites insones de Patrícia se tornavam infinitos e enfadonhos. Era a primeira vez que se sentia linda de verdade, talentosa de verdade. A menina pobre que sempre achou que seus únicos talentos eram os da cama agora descobria uma escritora forte e independente. Independente na vida e nas palavras…

Patrícia estava diferente vinha pensando em retornar
à cidade onde nasceu, rever a família, os antigos amigos. Pensava apenas na reação do pai quando a visse, fazia pelo menos dez anos que não colocava os pés naquela cidade, mas agora as coisas mudaram e ela estava decidida. Voltaria ainda naquela noite.

Na pequena cidade o escritor havia perdido totalmente as esperanças de um dia reencontrar aquela menina que havia proporcionado uma de suas melhores noites. Mantinha-se num quarto pequeno e úmido apenas com uma cama e uma cômoda caindo aos pedaços. O dinheiro que ganhava com os poucos artigos que conseguia vende aos jornais da cidade dava apenas para manter os cigarros e o aluguel da espelunca que havia se habituado a chamar de ‘casa’.

Na cidade todos se preocupavam com a amizade e carinho que demonstrava pela pequena irmã de Patrícia. O pai da menina a proibiu de encontrar com ele, a proibiu que lesse seus contos, mas a menina desobedecia e sempre que podia ia vê-lo, ela o ajudava com as roupas sujas e com os textos. Vinha servindo de inspiração ao escritor que ainda não havia tido coragem de perguntar se ela conhecia alguém em Porto Alegre…

Depois de um período sem atualizações o Tudo Dito volta a ativa com os capitulos finais de Avenida da Perdição. Não acompanhou os primeiros capítulos? Então clica aqui 🙂

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