Avenida da Perdição (capítulo 6)

04/27/2010

O escritor já estava se conformando que ir até àquela cidade tinha sido um grande erro, uma imensa perda de tempo. Já haviam se passado seis meses e até agora nenhuma notícia. Estava indo comprar sua passagem de volta à Porto Alegre quando o que aconteceu, naquela tarde chuvosa, o fez renovar as esperanças.

Viu a menina passeando sozinha pelas ruas da cidade e ficou completamente sem ar. Eram os únicos andando por aquelas ruas. A chuva fez com que todos se escondessem em suas casas. Ela não parecia se importar com a chuva de gotas finas e frias. Andava tranquilamente deixando que a chuva fria a refrescasse.

Seria a mesma daquela noite? Parecia um pouco mais jovem apenas… mas eram os mesmos olhos meigos da pequena prostituta que mudou sua vida. Seria uma irmã?

Ficou imóvel observando a menina e sentindo vergonha pela insistência do olhar e por ter pensando que aquela criança poderia ter sido a mesma mulher daquela noite. Observou a menina e sem coragem de falar uma palavra a viu sumir numa esquina que levava aos limites da cidade.

A pequena menina já sabia que encantava os homens daquela cidade, mas o olhar daquele homem com ares de forasteiro a deixou ainda mais envaidecida. Agora sabia que seus encantos eram irresistíveis. Talvez pudesse fazer como a irmã um dia. Mudar-se para a capital e trabalhar como modelo. Desde criança era essa a historia que ouvia dos pais, ou melhor, da mãe, o pai não mencionava o nome de Patrícia e a pequena não entendia por que, afinal de contas era ela quem garantia boa parte do pagamento das despesas da família com as fotos que tirava em Porto Alegre. Jamais tinha visto sequer uma foto da irmã na nova vida, mas sabia que ela era linda e que tinha se tornado rica e famosa.

Sonhava com o dia em quem poderia visitá-la, talvez morar com ela na capital e ter uma vida parecida com a da irmã que quase não conheceu. Era muito jovem quando Patrícia saiu de casa. Sabia apenas que eram muito parecidas. O pai se incomodava com essa semelhança e sempre que comentavam perto dele dizia a mesma frase:

–                      tomara que seja apenas no rosto…

A menina nunca entendeu aquele comentário, mas se sentia bem quando comparavam a beleza dela com a da irmã. Sonhava em sair daquele fim de mundo, viver sua própria vida.  Depois daquele olhar se sentiu ainda mais segura e com vontade de realizar o sonho de viver na capital. Agora sabia que sua beleza não agradava apenas os meninos inexperientes daquela cidade.

O escritor ficou ali, atônito sem saber o que fazer. Agora, tinha certeza que não era a mesma menina, mas certamente eram irmãs. A semelhança era grande demais. Seria impossível não serem parentes. Teve medo de segui-la, poderia assustá-la. Ficou parado, mas desistiu de voltar, precisava de tempo. Precisava aproximar-se dela de alguma maneira. Talvez ela soubesse o que aconteceu com Patrícia…

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Uma resposta to “Avenida da Perdição (capítulo 6)”

  1. Tomas Edson said

    Ok, Ok, ok… Vamos aguardar o próximo capítulo.

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