Avenida da Perdição

02/19/2010

Capítulo I

É a velha história. O pânico de uma página em branco e na mente milhares de ideias sem nexo. Reflexos das drogas consumidas à pouco. A cabeça não para de girar e milhares de fragmentos se misturam com a realidade. Ficção, loucura, alucinação. O escritor fica atônito, pensando em todos aqueles pedaços sem conseguir encaixá-los. Estava escrevendo aquela historia havia dias e ainda faltavam partes. O que tinha ainda não fazia sentido e não conseguia organizar os pensamentos.

A culpa era dela! Aquela mulher havia mexido com seus sentidos, com seus sentimentos agora todos os pensamentos eram direcionados a ela. Ele ficava nervoso, bebia. Tentava em vão acabar com aquela falta de concentração. Tentava em vão afastar aqueles pensamentos, mas não conseguia. As imagens voltavam misturadas aqueles fragmentos de historias….

Mãos… pernas… boca e sexo misturadas às palavras que insistiam em não sair do lugar. O escritor atordoado larga o texto e pega mais uma dose de uma bebida qualquer. Já não importava mais! Já não se perdoava por ter sido, assim, tão bobo tão inocente. Foi ingenuo a ponto de se apaixonar mais uma vez, mesmo depois de ter jurado a si mesmo que a paixão não o pegaria novamente. Tinha o costume de ‘amar’ meninas como ela. Amava-as por apenas uma noite e as deixava. Deixava-as com alguns trocados e um vazio imenso que acabava sempre preenchido por algumas carreias de um pó de qualidade duvidosa e doses de um whiski barato comprado no primeiro posto de gasolina que cruzassem no caminho de casa. Nem os atendentes da loja de conveniência, nem o porteiro do prédio, nem os vizinhos se importavam com aquele comportamento. Toda semana era assim. Uma menina diferente. Algumas jovens outras nem tanto. A única coisa que todas tinham em comum era que dividiam a mesma avenida e, eventualmente, os mesmos homens.

O escritor era sistemático ate mesmo nisso as mulheres eram todas do mesmo ponto da cidade. Cumpria toda semana o mesmo ritual. Naquele dia não sabia o que tinha acontecido e as aventuras que só serviam como inspiração aos seus contos hoje viraram pesadelo. Já faziam alguns dias que ele havia saído com aquela menina. Jovem recém chegada do interior, tinha pouco mais de 17 anos, mas possuía um corpo de colocar inveja na maioria das mulheres daquela avenida e capaz de enlouquecer a cabeça de qualquer homem. Ele enlouqueceu. E durante semanas procurou a menina por aquelas ruas. A inveja das outras certamente havia dado um jeito de tira-la dali, talvez pra sempre. Esse pensamento o deixava ainda mais atordoado: E se estivesse morta? E nunca mais a visse? E se não conseguisse nunca mais escrever nada? E se aquela paixão por uma prostituta barata acabasse com sua carreira?

Não era um escritor famoso, mas conseguia viver dos contos que vendia pro maior jornal da cidade. Aquela paixão maluca poderia pôr tudo a perder. Mas sem ela já não consegui mais escrever. Suas historias não tinham pé nem cabeça nada alem dela povoava os pensamentos. Precisava encontrá-la de qualquer jeito, mas como??

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