Só um texto…

10/30/2008

O único som que ela queria ouvir naquela noite era o som dos seus próprios passos. Passos solitários e secos. A noite calma, fresca a ajudou a colocar os pensamentos em ordem. A angústia cessou… Mas o pensamento se mantinha… O desejo era constante e parecia que a cada minuto aumentava. Ela sabia que era um caso proibido… Complicado, mas queria se arriscar desta vez. Estava cansada de abrir mão do que queria… De quem queria para que as coisas dessem certo. Resolveu tentar.
Ela só queria que ele acompanhasse seus passos, nada mais, não ia e não tinha o direito de cobrar nada.
Estava cansada de andar só…
Horas antes havia falado com ele. Seu “Príncipe Urbano” era aquilo que sempre sonhara, mas não acreditava mais em contos de fadas, ou melhor, não tinha fé neles ate conhece-lo…
Tudo começou de forma inocente, uma amizade como qualquer outra. Nenhum dos dois sabe em que momento os sentimentos mudaram de esfera. Eles não se deram conta de como isso aconteceu. Era um amor difícil, a história deles seria complicada, mas não impossível, nada é impossível.
De uma hora pra outra eles se deram conta do tempo que gastavam um com o outro. Tempo que passou a ficar curto. Cada vez mais desejavam estar juntos, “bocas que não cansam de beijar-se”, calafrios e desejos que não cessavam, não cediam…
Aos poucos foram se entregando… um ao outro… num misto de paixão e medo. Dor e angústia…
Naquela noite em especial nada a alegraria, estava sozinha mais uma vez, seu Príncipe sumira sem deixar rastros… sem deixar vestígios, mas certamente ele voltaria… Ele sempre volta.
Perto dele não conseguia agir… pensar em nada…
Longe não se concentrava, nem a leitura iria distraí-la naquela noite.
E aquele trecho a fez chorar compulsivamente… Como nunca antes chorara na vida…

-“Tinha suspirado… tinha beijado o papel devotamente.Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidadesE o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delasComo um corpo ressequido que se estira num banho tépido.Sentia um acréscimo de estima por si mesma,E parecia-lhe que entrava enfimNuma existência superiormente interessanteOnde cada hora tinha o seu encanto diferenteCada passo conduzia a um êxtaseE a alma se cobria de um luxo radioso de sensações”

Este trecho em especial a fez lembrar de tudo que viveram ate ali e de tudo que poderiam viver. Não sabia até quando ia durar aquela paixão, mas sabia que jamais o esqueceria. Era como se estivessem destinados um ao outro… como se aquela historia já tivesse sido escrita…
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