Acordei

08/28/2012

Imagem

Hoje eu acordei surpreendentemente criativa,

Estranhamente romântica

Supostamente tranqüila

Hoje eu acordei com aquela velha vontade de mudar o mundo de finalizar meu dia com Coltrane e o velho cigarro

Hoje eu acordei com um bom humor esquisito e sem saudades

Acordei pra uma vida que só pode ser minha

Hoje eu acordei pra tudo que me faz bem

Acordei com algo no peito

Algo bom e positivo como há muito eu não sentia

Acordei com vontade de ser eu mesma

Vontade de esmalte vermelho e doses de tequila

Acordei com o poema latente

Com a vontade crescente e a vida pele frente

Acordei pra rima, sem esquecer da importância da prosa

Acordei e vi um dia cinza

Choroso, mas com árvores mais verdes

Acordei assustadoramente positiva

Com a bipolaridade ligada no máximo

Ainda com tempo acordei pra uma vida que só poderia ser minha

Pra uma missão que apenas eu poderia cumprir

Auto…

05/08/2012

Tenho problemas de autoestima
autocontrole
auto-contraste

Problemas com o auto-reporting
Os automóveis sempre me deixam pra trás

Meu auto-significado se perdeu no limbo
No limo
Em marés de pensamentos que não respeitam as fases da lua
E que sempre sucumbem à luta

Minha auto-imagem é distorcida
Feia!
Faltam pedaços de pele e rosto

Meu auto-significado é algo doloroso e denso
Tenso
Assim como os poemas que vem sem nome
sem  sinal
sem final

Minha auto afirmação foi destroçada pela autópsia na noite passada

Composição

02/17/2012

Sou composta de dores e palavras
pequenos acordes de velhas guitarras
sou composta por uma imensa dose de lágrimas, um pouco de álcool
sou toda coração, sem deixar a razão de lado
sou a assustadora mais medrosa do planeta
não gosto dos espelhos nem das balanças
não me meço
não me permito
Às vezes, mas só as vezes me perco
Sou composta de grandes pequenas vitórias e minúsculas porém imensas faltas de coragem
Escrevo sem a esperança que leias
pretendo apenas aliviar meu coração, já que as lágrimas há muito secaram

De repente os dias se tornaram longos demais
viraram dias de muito papel e pouca tinta
as letras já não vinham com a mesma facilidade
a inspiração faltava assim como o ar que havia se tornado rarefeito
era como se tivesse perdido o tino
o time de todos os poemas…
Eles ficavam lá esquecidos, aos pedaços, pelos cantos da memória
rabiscados em velhos cadernos, ou perdidos em arquivos que jamais seriam abertos
De repente a mágica se foi, sem dor ou lágrimas, mas também sem despedidas
De repente apenas deixou de fazer sentido
Falar das mãos geladas e dos cheiros que dele exalavam deixou de ter graça
De repente eu cresci, superei
Ou então fui pequena a ponto de me descartar da minha própria história
De repente me faltaram forças pra segurar a barra sozinha
eu precisava de novo daquele abraço, daquela vontade
daquele olhar que me guiava
De repente era um vício, uma mania
Algo difícil demais pra ser vivido, ilusório demais pra ser real
De repente eu precisava de algo mais definitivo
uma explicação melhor
uma verdade
uma ilusão
De repente o poema simplesmente acabou sem ponto final

Andei

12/20/2011

Andei tropeçando nas palavras, elas vinham sofridas e trôpegas
pareciam bêbadas perdidas nas noites sujas da cidade
andei chorando feito criança que precisa de colo, mimo
andei buscando o impossível como pessoa que jamais desistiu de sonhar
busquei a poesia como válvula
a música como saída
a arte feita na pele como alívio
andei a tua procura, pelas velhas ruas e avenidas
busquei o cheiro dos teus cigarros e perfumes
a sensação da tua presença
mas tudo que quis também partiu…
Andei perdida em meio à perguntas tortas
noites insones e frases sem pontuação
andei ouvindo vozes, choros e lamentos
resolvendo problemas que não eram meus
absorvendo emoções que não me pertenciam
Andei escrevendo poemas imensos sobre sentimentos que deveriam ter sido esquecidos há tempos
Andei redescobrindo as velhas canções e a beleza das minhas antigas rimas…

Do ar e do chão como se nada me prendesse à essas amarras
Apago memórias, contatos e lembranças
Distraio a dor com poesia e fixo meus olhos num futuro que inexiste
Atravesso as dificuldades com tropeços
Assim como quando era criança e aprendia a caminhar
Me fiz adulta afim de descobrir as mazelas do mundo
Descobri mesmo que mal posso desassociar tua imagem do meu ser
Por mais que eu não queira você ainda está lá, como uma fantasma
Está lá, nas conversas de bar
Nas noites de domingo
Nos comentários dos amigos
Nas minhas lembranças e poemas
Eu não admito, mas todos esses versos são seus e você nem sabe
Não faz ideia das horas que gasto buscando a rima perfeita
Desafiando a métrica apenas pra que caibas novamente nos meus textos
Não sabe o quanto dói não saber onde andas
Com quem andas, nem o porque de eu não mais acompanhar teus passos
Não sabe de nada e ainda assim faz parte de tudo
Te ver me faz criar
Saber de ti me inspira como luz
Como som….
Me perco em pensamentos e novamente me vejo através destes olhos

Sonhei…..

11/09/2011

Bastou uma palavra para que tudo voltasse
um sonho pra que a realidade fosse novamente distorcida
um olhar que jamais existiu para que eu, de novo, me apaixonasse
Sonhei que ele me dizia que sentia minha falta
Sonhei com aquele par óculos escorregando do rosto
com o perfume
aquela combinação perfeita de cheiros e sensações
sonhei em jamais publicar nada a seu respeito, pra que ele jamais soubesse da minha saudade
sonhei com as camisetas sujas e da falta que, mesmo elas razão de tantas brigas, me faziam naquele momento
senti falta das reclamações do calor e do frio
das mãos geladas, da correria
da vontade de crescer
de ser um só
sonhei que o tempo voltava e éramos felizes de novo
Sonhei enfim com um retorno….
Sonhei…..

Ontem….

10/26/2011

Ontem eu queria um cigarro
Um remédio
Cama
Ontem eu queria uma companhia qualquer que secasse as minhas lágrimas
Entendesse meus medos e dissipasse a nuvem que se formava sobre meus olhos
Ontem eu quis uma verdade absoluta
Uma saudade gigantesca
Quis um delírio
A sensação das drogas mais fortes
Dos carinhos mais suaves
A delicadeza daquele toque

ONTEM!

Hoje quero paz, minha própria companhia me basta
Me sustenta, me segura
Hoje quero tranqüilidade
Suavidade
Os sons de Chico e Elis
As letras de Pessoa e Garcia Márquez
Os belos dias cinza, as saudades de tempos distantes
A beleza das flores, mesmo que mortas….
Dos amores mesmo que acabados pra sempre….

Às vezes é preciso pouco
pouco para que as coisas façam sentido
tomem forma
É preciso pouco para que as lágrimas lavem o rosto
e aliviem a alma de todas as coisas que assustam
Às vezes basta uma canção
um verso
um poema novo
Às vezes eu sinto saudade
lembro com carinho de todas as coisas que jamais aconteceram
ouço teus discos como se fossem meus
te entrego todos os meus versos
Às vezes espero o impossível
desejo o improvável
Às vezes tudo que temos é o silêncio
a solidão
a garrafa de vinho pela metade
A consciência dos erros nos fazem perceber a delícia de todos os velhos acertos
Às vezes tudo é dor e escuro
a voz sai embargada
Às vezes se veste a fantasia mais linda, as cores mais vivas e o sol volta a iluminar um sorriso que jamais deveria ter se apagado…

Era assim…

08/23/2011

Era assim intenso,

Às vezes tenso
faltavam partes que não sabíamos definir
sobravam sentimentos que não conseguíamos mensurar

Às vezes era engraçado como os dias eram frios, vazios
Às vezes era engraçado como duas palavras tornavam esse mesmo dia o mais quente e ensolarado

Tínhamos dias de cantorias, dias de lágrimas infinitas e sorrisos eternos

Tínhamos momentos de nada fazer, nada dizer e esses eram os que mais representavam quem realmente éramos

Não tínhamos personagens, nem máscaras

Éramos nós
Éramos sós
Éramos poema pronto pra ser musicado

Tínhamos uma melodia escondida em cada verso

Uma lágrima descrita em cada palavra
Uma vontade velada em casa ação
Uma solidão escondida

O poema como única forma de acalento…